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IA | A InteligĂȘncia Artificial veio para substituir ou ajudar os humanos?

  • 25 de ago. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 30 de ago. de 2022



Existe uma ansiedade natural em relação a novas tecnologias. A inteligĂȘncia artificial em especial, sempre foi retratada nos filmes de ficção cientĂ­fica como uma ameaça aos humanos:

  • The Matrix: os humanos sĂŁo escravos de um sistema de IA que cria uma ilusĂŁo de vida normal para subjugar as pessoas.

  • Exterminador do Futuro: apĂłs se tornar autoconsciente, a IA SkyNet passou a perceber os humanos como uma ameaça Ă  sua prĂłpria existĂȘncia.

  • Eu, RobĂŽ: IA VIKI chega Ă  conclusĂŁo que ela estĂĄ mais apta a comandar a Humanidade, e que o Ășnico jeito de salvar os seres humanos Ă© oprimindo-os e instalando uma ditadura comandada por robĂŽs.

Além desses clåssicos, "Tron", "Westworld", "Ex Machina" e até "Wall-E" são filmes que mexem com o nosso imaginårio e retratam a IA como super vilã.


Em suma, o cinema muitas vezes mostra que a relação entre robÎs e humanos é um jogo de soma zero, onde cada lado joga contra o outro e só vai existir um vencedor. Mas é claro que a realidade não precisa ser esta.


InteligĂȘncia Artificial vs Machine Learning


Quando ouvimos falar em “inteligĂȘncia artificial” no cinema ou na imprensa, muitas vezes o que estĂĄ se falando sĂŁo sistemas com inteligĂȘncia igual ou superior Ă  dos humanos, e que poderiam substituir as pessoas em qualquer tarefa. PorĂ©m, esses sistemas denominados de AGI — sigla em inglĂȘs para inteligĂȘncia artificial genĂ©rica — ainda estĂŁo longe de existir.


Existem trabalhos sendo feitos nesta direção, mas os principais avanços que vemos no mundo de IA hoje em dia são para resolver problemas bem específicos. Ainda não temos a robÎ Rosie, dos Jetsons, que fazia todas as tarefas domésticas. Mas temos o robÎ Roomba, que passa aspirador sozinho na casa. Por este motivo, penso que o termo IA não estå sendo bem utilizado.


Por trĂĄs destes avanços, estĂĄ uma tecnologia chamada machine learning, e, mais especificamente, deep learning. Estas duas tecnologias tĂȘm como base transformar problemas em nĂșmeros para podermos aplicar funçÔes estatĂ­sticas e ĂĄlgebra linear para resolvĂȘ-los. Faz muito mais sentido usar a sigla ML para descrever estes sistemas.


Piloto automĂĄtico vs co-piloto


Todo sistema de machine learning Ă©, em Ășltima instĂąncia, um sistema estatĂ­stico. EntĂŁo, por mais preciso que seja, vai cometer erros.


Em algumas tarefas, os erros podem ser aceitĂĄveis. Por exemplo, todo mundo que usa o corretor ortogrĂĄfico no celular sabe que, apesar de ser uma ferramenta muito Ăștil, ela de vez em quando sugere palavras completamente erradas para o contexto. Mas existem tarefas em que a tolerĂąncia para os erros Ă© menor do que os sistemas atuais conseguem oferecer.


Outro dia ouvi num podcast da Andreessen Horowitz (a empresa de venture capital) o conceito de piloto-automĂĄtico vs co-piloto. Um sistema desenhado como piloto-automĂĄtico Ă© feito para realizar as tarefas sozinho, sem a necessidade de um operador humano. JĂĄ os sistemas co-piloto, sĂŁo aqueles projetados para ajudarem os humanos nas suas tarefas, deixando-os mais eficientes.


No artigo de 2019, Michael I. Jordan, professor da Universidade de Berkeley, na CalifĂłrnia, escreveu que:

“Em um futuro previsĂ­vel, os computadores nĂŁo serĂŁo capazes de igualar os humanos na sua habilidade de argumentar abstratamente sobre situaçÔes do mundo real. NĂłs precisaremos de interaçÔes muito bem pensadas entre humanos e computadores para resolver nossos problemas mais importantes. Precisamos entender que o comportamento inteligente de sistemas de larga escala advĂ©m tanto da interação entre os agentes quanto da inteligĂȘncia individual dos agentes”.

Estes sistemas co-piloto, também chamados de "human-in-the-loop", aproveitam a velocidade do ML e a sua capacidade para analisar volumes enormes de dados, para facilitar a vida do usuårio.


Eles permitem que o usuĂĄrio ganhe produtividade e cometa menos erros. Ao corrigir os erros do sistema, o usuĂĄrio tambĂ©m estĂĄ automaticamente ensinando o modelo, que por consequĂȘncia vai ser cada vez mais preciso e vai facilitar cada vez mais a vida do usuĂĄrio. Assim, o ML se torna um aliado e atĂ© um “super-poder” do usuĂĄrio.


Aqui na Beaver, nĂłs criamos o Justin, nossa IA (Justin, da Beaver, Justin Beaver, entendeu? 😉), para ser um co-piloto. A tarefa de ler e extrair informaçÔes de documentos jurĂ­dicos Ă© bastante lenta, trabalhosa e suscetĂ­vel a erros, ainda mais sem o uso de ferramentas adequadas.


Nosso sistema extrai os dados e mostra para o operador conferir. Informamos de onde veio cada dado e deixamos o usuårio corrigir de forma muito simples, apenas clicando no texto do documento, caso a extração automåtica tenha cometido algum erro. Desta forma, o analista consegue fazer seu trabalho mais råpido e com mais precisão.


Casos de uso


Alguns de nossos principais clientes sĂŁo BPOs — empresas que agem como back-office terceirizado para grandes bancos. O trabalho destas BPOs consiste em ler todos os documentos relativos Ă s operaçÔes de crĂ©dito imobiliĂĄrio, para preencher o sistema do banco e emitir o contrato de emprĂ©stimo.


O documento que mais toma tempo do analista Ă© a matrĂ­cula imobiliĂĄria. Como jĂĄ falamos em um artigo anterior, este Ă© um documento bastante complexo e despadronizado, o que exige um bom conhecimento por parte do analista que, mesmo assim, pode cometer erros na anĂĄlise. Usando o nosso leitor de matrĂ­culas, os analistas puderam reduzir o tempo de anĂĄlise em mais de 80%, e reduzir os erros em mais de 60%.


Outro Ăłtimo exemplo Ă© o nosso sistema de firmas e poderes. Um de nossos clientes precisa ler procuraçÔes e digitar todos os dados dos procuradores no seu sistema. Este trabalho, feito manualmente, pode demorar horas dependendo do nĂșmero de procuradores que aparecem no documento apenas na validação de uma Ășnica empresa. Uma procuração de banco ou de grande empresa, por exemplo, pode ter mais de cem procuradores!


Hoje, este cliente faz o upload da procuração no nosso app que, em menos de dois minutos, encontra todos os nomes e qualificaçÔes dos procuradores automaticamente. Estas informaçÔes são mostradas para o usuårio numa tela simples, que mostra cada procurador e seus dados. Ao clicar em um dos nomes, o sistema mostra, direto no documento, de onde vieram as informaçÔes.


Se o usuårio perceber que o CPF encontrado não estå correto, por exemplo, ele pode simplesmente clicar direto no documento em cima do CPF certo, que o campo é atualizado na hora. Depois de alguns minutos conferindo tudo, o usuårio clica em um botão que alimenta automaticamente o sistema do cliente com os dados. Ou seja, o trabalho que antes exigia vårias horas pode agora ser feito em poucos minutos, permitindo que o usuårio possa gastar mais tempo realmente analisando a operação em vez de gastar horas digitando dados no seu sistema.


Da mesma forma que a IA que aprende e evolui com a interação com os humanos, os sistemas podem também ser uma excelente ferramenta de treinamento e evolução do conhecimento de seus usuårios. Nossos clientes jå nos reportaram que o sistema da Beaver vem ajudando a treinar novos colaboradores, que aprendem mais råpido a ler e analisar documentos.


Dito tudo isso...


Enquanto a inteligĂȘncia artificial Ă© retratada pela mĂ­dia e pelos filmes como algo que vai tornar os seres humanos obsoletos, a quase totalidade dos avanços que estĂŁo sendo feitos na indĂșstria e na academia hoje em dia Ă© em sistemas que ajudam os operadores humanos a realizar suas tarefas de forma melhor e mais eficiente.


MĂĄquinas e pessoas tĂȘm tipos de inteligĂȘncia diferentes, e ambas sĂŁo necessĂĄrias para a maioria das tarefas. IA e humanos podem trabalhar como um time, aproveitando os benefĂ­cios das duas formas de inteligĂȘncia. Como num time esportivo, o poder de combinar talentos diferentes vem mais da forma como estes talentos interagem e menos da capacidade individual de cada um.




ReferĂȘncias

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