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A corrida da IA tem dois times, o placar favorece por enquanto quem vende a pá

  • há 24 horas
  • 2 min de leitura

Por Renata Feltrin e Aminadab Nunes, da FORWD


Um slide está circulando nas mesas de investimento de quem acompanha o mercado de tech, e chama a atenção de quem recebe.


A Coatue, uma das gestoras de tech mais respeitadas do mundo, separou o mercado de capitais em dois grupos: as empresas que vendem os produtos em escassez que a corrida da IA exige (chips, memória, infraestrutura física) e as empresas que compram esses produtos para construir inteligência em cima deles.


O primeiro grupo, NVIDIA, TSMC, Micron, Broadcom, acumula retorno de ~107% no ano. O segundo, Amazon, Google, Meta, Microsoft,  entregou entre janeiro e maio de 2026 em torno de ~4%.




Os vendedores têm venda com margem alta, custo fixo controlado e poder de precificação. Os compradores carregam bilhões em capex, retorno diluído ao longo de anos e revisões de resultado que ainda não convenceram o mercado.


E o que torna essa assimetria ainda mais interessante é que ela tende a se aprofundar antes de se equilibrar, porque a próxima fase da IA vai exigir ainda mais infraestrutura.


Estamos falando da transição para o que o mercado chama de IA agêntica: sistemas que operam de forma autônoma, coordenam outros agentes e executam fluxos de trabalho completos sem que um humano precise aprovar cada passo.


A diferença em relação ao que conhecemos até agora é de sofisticação e de escala de consumo.

Um agente executando uma tarefa complexa não faz só uma chamada ao modelo, faz dezenas, às vezes centenas.


E a grande demanda por infraestrutura que isso gera pode até parecer especulação, mas é consequência direta de como essa nova arquitetura funciona.


Quem fornece a matéria-prima física dessa expansão não precisa resolver a questão da monetização da IA, precisa só que todo mundo continue construindo. E todo mundo está construindo cada vez mais.


O que muda quando você para de ser investidor e começa a ser executivo é o ângulo da pergunta. Dentro das empresas, a mesma lógica do slide se repete em escala menor e com menos visibilidade.


A maioria das organizações que acompanhamos está exatamente na posição dos compradores: investe pesado em ferramentas, licenças, POCs, sem que isso apareça no resultado de forma proporcional.


Comprar acesso à IA é diferente de redesenhar como o trabalho acontece. A virada de chave só acontece quando a empresa para de usar IA para acelerar o que já fazia e começa a repensar quem decide, quem executa e o que pode rodar sem intervenção humana a cada etapa. É a diferença entre ter um copiloto e ter uma operação que se move sozinha, onde faz sentido.


Nós ainda estamos no começo desse ciclo e é exatamente por isso que o retorno dos compradores está em ~4%. O mercado está esperando ver quem vai de fato fazer a transição. Quando isso acontecer, os múltiplos vão refletir. Mas as empresas que chegarem lá primeiro não serão as que mais investiram em tecnologia, serão as que mais investiram em repensar a arquitetura do próprio trabalho.


No balanço da IA da sua empresa, você está mais para quem vende a pá ou para quem ainda está decidindo qual pá comprar?


Por Renata Feltrin e Aminadab Nunes da FORWD, consultoria de estratégia e transformação que opera na interseção entre antecipação, execução e impacto real.

 
 
 

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