#snaqentrevista: Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin

Veja o nosso bate-papo exclusivo sobre como anda o mercado de criptomoedas no Brasil, além da explicação de como é feita a seleção e aprovação da listagem destes ativos na Exchange por parte do MB. Nessa entrevista você ainda confere quais os planos da instituição para 2021 e o futuro dos tokens.

SHARE

"Em sete anos, cadastramos a mesma quantidade de CPFs que a Bolsa de Valores registrou nos últimos nove anos: dois milhões, de 2011 a 2020." Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin

Snaq: O MB nasceu como uma exchange de bitcoins, e tem sido um player que sempre buscou uma via de operação em aderência a todas as normas brasileiras. Já podemos ver a penetração desta categoria em um maior número de investidores institucionais?

Reinaldo Rabelo: Cada vez mais os atributos da criptoeconomia estão chamando a atenção do investidor institucional. Aqui no Mercado Bitcoin, 2020 foi o ano que mais ganhamos novos clientes com esse perfil. Mas não podemos deixar de enfatizar a importância da pessoa física em nossa plataforma. Em sete anos, cadastramos a mesma quantidade de CPFs que a Bolsa de Valores registrou nos últimos nove anos: dois milhões, de 2011 a 2020. Em 2017, quando aconteceu o grande boom do Bitcoin, o Mercado Bitcoin registrou crescimento de 367% no número de clientes, chegando a cerca de 870 mil CPFs cadastrados. Dois anos depois, a base saltou para 1,8 milhão, uma evolução de 110%, em 2019.

S: Como evoluiu o investidor em criptomoedas? Já vemos cripto como sendo um ativo de diversificação de carteira ou em grande parte permanece como um ativo especulativo e de trading?

RR: O investidor em criptomoedas está se tornando cada vez mais sofisticado. O Bitcoin já se consolidou como um ativo relevante no mercado financeiro mundial, e isso acaba levando a mais exposição na mídia e a um entendimento maior da tecnologia e da oportunidade de investimento que ele oferece. O Bitcoin e outras criptos já se tornaram alternativas sérias para a construção de um portfólio bem diversificado e seguro.

S: Hoje o MB oferece uma série de criptomoedas e tokens, como é feita a seleção e aprovação da listagem destes ativos na Exchange?

RR: Seguimos um processo rigoroso ao escolher novos tokens e criptomoedas para listar em nossa plataforma. As criptomoedas são escolhidas entre as mais negociadas e respeitadas do mercado, como o próprio Bitcoin, Ethereum, Litecoin e outras na nossa plataforma. Além disso, ampliamos o leque de possibilidades listando alguns utility tokens, que são ativos digitais que possibilitam acesso a produtos ou serviços, desde benefícios exclusivos até troca por produtos e descontos em parceiro.

Cada ativo digital que listamos, como os tokens de precatório e os tokens de consórcio, passa por um processo de due diligence que dá ao detentor do token segurança de que está comprando um investimento de qualidade. Todas as informações inclusive ficam registradas em blockchain, recebendo o selo Blockchain Certifica. O selo certifica o registro das informações essenciais no blockchain do Ethereum, formando um registro imutável e amplamente acessível de todas as informações dos tokens emitidos pelo MB Digital Assets (MBDA).

 

S: Tokens vieram para ficar? O que NÃO pode ainda ser tokenizado?

RR: Estamos diante da era da tokenização, que começou com lançamento dos primeiros tokens vinculados a ativos financeiros ou reais. Globalmente, a comunidade de criptomoedas está se fortalecendo e talvez esse mercado vá evoluir mais rapidamente em países emergentes, como o Brasil, onde o setor pode atuar como alternativa em tempos de incertezas e instabilidade econômica.

No limite, tudo pode ser tokenizado, e no exterior vemos até exemplos extremos como empresas que permitem a qualquer um vender "tokens pessoais" que representem horas de trabalho ou influência em certas decisões pessoais. Tudo que que represente um direito, uma dívida, pode ser tokenizado. É um processo que oferece vantagens a todos os participantes: os donos dos ativos ganham liquidez, e os investidores ganham acesso a investimentos que antes não estavam disponíveis a ele.

 

S: Até quando ativos alternativos como cripto e tokens vão estar em casas separadas de investimentos tradicionais?

RR: Os ativos alternativos como criptos e tokens são complementares ao mercado financeiro. A entrada da ICE, dona da Bolsa de Nova York, no mercado cripto - através da Bakkt - e iniciativas como a JPM Coin, uma criptomoeda que o JP Morgan criou para liquidar transações internas, mostram isso. Ou seja, a aproximação entre mercado financeiro tradicional e o mundo cripto já é uma realidade.

 

6. Quais os próximos passos e futuro do MB?

O MB deve cada vez mais caminhar na direção de se tornar uma plataforma completa para uma nova relação com o dinheiro, tanto para trazer ainda mais facilidade em investir ou pagar contas com criptomoedas, que é a frente do Meubank, quanto soluções avançadas de trading e disponibilidade de diversos investimentos alternativos, que é a frente do MB e do MBDA.

Por exemplo, recentemente lançamos uma iniciativa junto ao Vasco da Gama: um token atrelado ao mecanismo de solidariedade. O mecanismo de solidariedade é um percentual que os clubes têm direito sobre o valor de transações futuras dos jogadores formados em sua base. Trata-se de uma forma de apoiar o clube e ainda ter a chance de um retorno financeiro. Trata-se de uma inovação em âmbito mundial!

Confira também nosso report sobre Audiência Digital: Investimentos com a análise de mais de 2,2 milhões de usuários das principais redes sociais do momento para avaliar seu sentimento com relação às maiores corretoras de valores, casas de research e plataformas do mercado financeiro no país.