Como ficam os cartões de crédito e débito com o PIX?

O Pix começará a ser utilizado em pouco tempo e alguns questionamentos já começaram a ser feitos. Dentre eles: como ficam os cartões de débito e crédito? Carlos Lino, nosso #snaqexpert, fala sobre o assunto e analisa as diferenças e benefícios dos cartões frente ao novo serviço financeiro brasileiro.

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Antes de falar sobre o impacto do PIX na indústria de cartões de crédito e débito, vale entender quais as vantagens que eles trazem para os usuários. E para entender um de seus principais benefícios temos de voltar no tempo e analisar como os cartões de crédito nasceram.

Oficialmente o cartão de crédito nasceu em 1950, quando Frank Macnamara teve um daqueles momentos “a-ha” por não conseguir pagar a conta de um jantar de negócios em Nova York porque tinha esquecido a carteira. Meses depois ele e seu parceiro lançavam o “Diners” Club Card que permitia acumular as cobranças para pagamentos em um único dia.

Primeiro cartão de crédito criado

Naquela época poder organizar suas compras e pagá-las depois em um único dia se apresentou como uma grande vantagem para os usuários finais. Com a rápida adoção pelos clientes, os “merchants” ou lojistas perceberam que a facilidade aumentava as suas vendas e também adotaram em massa a solução de pagamentos. De lá para cá, o produto cartão de crédito evoluiu e teve diversas funcionalidades adicionadas ao seu cardápio: programas de fidelidade, cashbacks, financiamentos, parcelamentos, cartões adicionais, etc… São 70 anos de história, mas apesar dele ser velhinho acredito que nunca esteve tão jovem com as inovações que tem passado nos últimos anos (só ver o sucesso do Nubank com o público jovem digital).

Mas como eles ficam com o PIX?

Essas inovações é que vão manter o uso do cartão de crédito blindado do PIX. Primeiro acho a experiência de pagar usando o NFC do meu celular infinitamente melhor que qualquer experiência do uso de QR que já tive. E olhe que Picpay, Ame e Mercado Pago criaram UX muito boas. Não acho que os bancos vão conseguir fazer melhor 🧐. Depois temos as recompensas, os cashbacks dos cartões e programas de fidelidade com pontos que incentivam seu uso. Com baixos custos e consequentemente baixas receitas o PIX não favorece o surgimento de programas similares de longo prazo. Podemos ter campanhas de curto prazo de carteira A, ou P ou MP, para incentivar a experiência, mas elas não se sustentam no tempo😩(disclaimer do seu escritor: eu adoro um cashback! Só perde para selinho de estacionamento).

Mas a grande barreira de entrada é o parcelamento sem juros. Se não fosse só brasileira, essa invenção poderia ser considerada a 8ª Maravilha do Mundo. E como o brasileiro gosta de parcelar. Aqui se parcela de tudo no cartão… até dívida. E o modelo de parcelamento no Brasil possui uma particularidade: o maior beneficiário do parcelamento (não se anima pois não é você e sim o lojista que vende mais e tem a receita do juros), não arca com o risco da operação. Esse risco fica todo com os emissores de cartões e esse é um dos motivos pelo qual o juros do rotativo do cartão é tão alto (não ganham o juros do risco do parcelamento).

No PIX dificilmente vamos ver um modelo semelhante ocorrendo. Vamos ter modelos onde os bancos oferecem crédito em 'real-time' para compras de maior valor, mas não acredito que será algo tão competitivo quanto o oferecido hoje pelos lojistas no arranjo do cartão de crédito. O valor do juros que hoje é embutido, ficará mais evidente, reduzindo o apelo comercial da venda pelo PIX.

Assim, acredito que o impacto do PIX no volume de cartão de crédito deve ser mínimo. Apostaria que podemos até ter um movimento inverso, onde com mais pessoas usando o PIX, os bancos e fintechs vão conhecer melhor os seus clientes e aumentar a oferta de crédito na forma de cartões.

Já o de débito...

Por outro lado, cartão de débito: R.I.P.⚰️ (descanse em paz). O PIX substitui em muito o seu uso e em alguns casos em situações onde o primeiro mal atendia de forma adequada, como compras online. Pode até haver outras vantagens do cartão de débito, mas a única que consigo lembrar agora é que não tem problema se a bateria do celular acabar 😱… mas acho que ninguém vai se preocupar com isso e sim em não poder postar no Insta (ou no Facebook se você é mais velho como eu).

Lembro que a ideia aqui é provocar o debate e mostrar que mesmo sendo um produto que vem para revolucionar o mercado de pagamentos brasileiros, as outras formas de pagamentos devem continuar existindo ainda por um bom tempo. Se você achou que ia se livrar dos boletos…. sorry… ainda não foi dessa vez.