O ano das fintechs e da “fintechização”

Sem dúvidas 2019 foi um ano importante para as Fintechs e o movimento de "Fintechização". Além de grandes investimentos, o Brasil já soma mais de 600 startups e a tendência é que esse número só cresça. Pietro Bonfiglioli, co-fundador da Fisher VB, traz dados e análises, além de alguns dos principais fatores que explicam o movimento.

2019 foi um ano excelente para as fintechs brasileiras. Um novo unicórnio, recorde em volume de investimentos e mais de 600 startups. O destaque ficou por conta dos bancos digitais ou, se preferir, neo banks, que além de grandes captações como a de US$ 400 milhões do Nubank e R$ 400 milhões do Neon, conquistaram milhões de clientes.

Foi um ano também em que grandes empresas, principalmente do varejo e de tecnologia, além de startups de outros setores decidiram se “fintechizar”. Ou seja, passaram a ofertar produtos e serviços financeiros como: contas digitais, cartão de débito e crédito, digital wallet, sistemas de pagamento, assim como outras soluções financeiras.

Além das 600 novas startups, podemos listar grandes empresas que passaram por esse processo, como a Magazine Luiza, Pernambucanas, Renner, Cosan, Via Varejo, B2W, Cacau Show e Mercado Livre que já possuem suas iniciativas, além do Carrefour que adquiriu recentemente a wallet Ewally.

Um excelente benchmark deste movimento é o Starbucks. Já faz um tempo que a empresa oferece para seus clientes cartão pré-pago, cartão de crédito, programa de recompensas e possui um dos apps de Mobile Payment mais populares dos EUA.

Entre as Big Techs, só nesse ano foram lançados o Apple Card, o Google Pay, o Facebook Pay e a Libra – criptomoeda liderada pelo Facebook – se juntando a serviços como AmazonPay, AmazonCash, AmazonLending e Microsoft Pay. A grande base e o profundo conhecimento sobre seus clientes tornam essas empresas uma real ameaça aos grandes bancos.

Entraram nessa brincadeira também startups de grande porte como Uber com o Uber Money, o Rappi com o RappiPay, o ifood oferecendo pagamentos via QR Code e maquininha de cartão e as adquirentes Stone com a Conta Stone para PMEs, a Cielo com o Cielo Pay e o PagSeguro virando PagBank.

Além da oportunidade de preencher gaps de mercado, alguns outros fatores explicam esse movimento de “fintechização”, e aqui destaco 4 deles:

Experiência e diferencial: em setores altamente competitivos, as empresas enxergaram nos serviços financeiros uma forma de oferecer um diferencial aos clientes, além de um controle maior no processo de compra como um todo, oferecendo uma experiência mais fluida e amigável.

Rentabilidade: é também uma forma de aumentar a rentabilidade na atual base de clientes, melhorando o LTV (Life-Time-Value), além da potencial atração de novos clientes.

Regulação: as alterações regulatórias recentes, impulsionadas principalmente pelo BACEN, aumentaram a competitividade no setor e facilitaram a abertura de bancos “lights”.

BaaS (Bank-as-a-Service): modelo onde plataformas de tecnologia e Instituições Financeiras fazem a bancarização e o “back-end” dos produtos financeiros para outras empresas e startups, agilizando o lançamento de novos produtos e reduzindo a necessidade de grandes investimentos iniciais.

A proliferação de contas digitais foi tão grande que chegou a ser comparada com o surgimento e rápido crescimento no número de “paleterias mexicanas”. Fica a dúvida se o final dessa história será o mesmo.

Em 2020 teremos mais novidades no setor com o Open Banking e o Pagamento Instantâneo, que prometem aumentar ainda mais a competitividade, reduzir custos, ocupar lacunas de mercado e melhorar a experiencia para os usuários. Basta sabermos quem será o grande destaque, tem alguma aposta?