Grandes projetos do setor financeiro que vão impactar o Brasil em 2020

2020 promete grandes novidades e mudanças no cenário financeiro do Brasil. Ingrid Barth, nossa #expert, escreve sobre o open banking, pagamentos instantâneos e outros projetos que irão impactar a economia do país em 2020.

O setor financeiro brasileiro – bancos, corretoras, fintechs e afins – está na expectativa por grandes novidades, mudanças e inovações para o ano de 2020.

Desde o plano real, anunciado com a missão especial de estabilizar a nossa tão problemática economia da época, não se via tanta movimentação estrutural no setor financeiro. Ficamos durante algumas décadas bastante restritivos, não apenas com inovações que viessem a colocar em risco qualquer política econômica vigente, mas também com relação a entrada de novos players que oferecessem produtos e serviços financeiros, que não fosse através de uma licença bancária tradicional.

Apesar da regulação bancária e financeira ter protegido a nossa economia, caso não fosse alterada e flexibilizada, impediria a inserção de uma série de novos produtos e serviços, além de impedir o nascimento das fintechs e startups do setor financeiro que estão permitindo uma verdadeira revolução.

Pensando nesse novo momento da economia e do mercado de tecnologia e inovação, desde meados de 2012, o Banco Central do Brasil vem fazendo um trabalho excepcional de entendimento sobre as tendências mundiais do setor, abrindo o mercado e criando a possibilidade de inserção de novos modelos de negócio.

Diferente do que muita gente pensa, o Banco Central, além da função de regular o nosso mercado financeiro e direcionar a política monetária, também tem a missão intrínseca de desenvolver a economia através da geração de acesso da população ao sistema financeiro, democratizando o crédito, melhorando a experiência e consequentemente educação financeira dos brasileiros.

E nesse contexto, o ano de 2020 está especial, teremos 2 grandes projetos que pretendem mudar a forma como nos relacionamos com o sistema financeiro. São eles: Open Banking e Pagamentos Instantâneos. Existe obviamente uma interoperabilidade entre eles, mas vamos separar para explicar o que estamos esperando de cada um.

OPEN BANKING

Imagina a possibilidade de ter relacionamento com várias instituições, a seu critério, sem a necessidade de levar um pacote imenso de documentos para fazer o cadastro ou análise de crédito, e que todo o processo leve apenas alguns instantes. Imaginou? Pois é exatamente isso que o Open Banking se propõe. Possibilitar que as instituições possam compartilhar as suas informações cadastrais e de consumo dos clientes, de maneira rápida, segura e totalmente tecnológica, reduzindo custos operacionais e trazendo mais confiança para esse processo.

Essa comunicação entre as instituições será iniciada unicamente pela requisição do cliente, sem interações manuais e através do que chamamos de “APIs”. As APIs são conexões tecnológicas, criptografadas, que permitem a troca de dados em tempo real.

Esse projeto será na forma de auto-regulação, ou seja, as entidades representativas e associações de todo o setor estão trabalhando em conjunto, com liberdade de discussão do que mais faz sentido, e o Banco Central deverá deliberar com poder de veto ou em voto de desempate, permitindo assim que as próprias entidades se organizem e criem uma governança que funcione de maneira justa.

PAGAMENTOS INSTANTÂNEOS

De maneira rápida e simples, essa regulação visa transformar a maneira que enviamos e recebemos dinheiro, hoje condicionada aos dias úteis e em horários mais restritos, a partir das 10 da manhã e até aproximadamente as 17hrs, dependendo da instituição.

Com a utilização da tecnologia de QR code, os pagamentos instantâneos, como o próprio nome diz, pretende transformar os pagamentos para que funcionem 24 horas por dia, 7 dias por semana, utilizando apenas o seu smartphone. Dessa forma, podendo reduzir os custos envolvidos nessas transações, e trazendo mais dinamismo para o mercado transacional.

Diferente do Open Banking, onde quem precisará se adaptar aos novos modelos serão as próprias instituições que aderirem, nos Pagamentos Instantâneos possivelmente o nosso Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) também deverá se adequar, exigindo assim um trabalho estrutural do próprio Banco Central.

Como mencionei no inicío, esse ano será bem animado para o mercado financeiro brasileiro, e de uma maneira positiva. As expectativas estão altas, muita discussão e trabalho em cima desses temas acontecendo, mas com uma única missão: Impactar positivamente a economia e sociedade. Esperamos sentir os resultados o mais rápido possível, e assim permitir que o Brasil figure entre os países mais inovadores do setor nos próximos anos.