Clubhouse: a rede social que digitaliza, dá plateia à mesa de bar e leva o conceito de FOMO ao extremo

Entenda como funciona a nova rede social de áudio que tem chamado a atenção da internet e a experiência que Pietro Bonfiglioli, co-founder Fisher VB, teve ao usá-la por um final de semana.

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Semana passada viralizou no Brasil, principalmente no meio de startups e inovação, o Clubhouse, uma rede social baseada apenas em áudio e que leva o conceito de #FOMO (Fear Of Missing Out) ao extremo. O Clubhouse funciona em salas de bate-papo, com speakers convidados e dezenas, centenas ou milhares de espectadores que podem pedir para participar e contribuir com a conversa. A rede social tem pouco menos de um ano e já ultrapassou 2 milhões de usuários - o Instagram demorou aproximadamente dois anos para atingir esse número.

O conceito é muito legal, poder ouvir um debate com Mark Zuckerberg ou Elon Musk de graça e ainda ter a chance de “levantar a mão” e fazer uma pergunta. Ou ainda entrar em uma sala de conversação só pra treinar o seu inglês ou espanhol, e poder migrar de sala tão rápido quanto trocar de estação de rádio. Ou simplesmente juntar alguns amigos para uma conversa descontraída de happy hour em um aplicativo com excelente qualidade de som e praticamente sem delay, o que torna a experiência mais fluida do que uma conversa pelo zoom com imagem. Em contrapartida já adianto que a bateria do seu celular não vai durar muito.

Mas assim como uma mesa de bar, a conversa acaba ali e, por mais proveitosa e cheia de conteúdo que seja, só absorveu aquilo quem presenciou o momento. Se o instagram já incitou o FOMO criando os stories que apagam depois de 24h, imagina uma rede social que não guarda histórico e 100% do conteúdo tem que ser consumido ao vivo. Até as lives, difundidas em velocidade exponencial durante a pandemia, ficam gravadas e podem ser assistidas depois. Mas no Clubhouse, você tem que escolher entre as diversas salas simultâneas e de fato prestar atenção no que é falado, pois aquele momento não volta.

Até hoje, todas as redes sociais, seja de texto como o Twitter, vídeo como o Youtube, áudio como o Spotify ou imagem como o Instagram, sempre guardaram histórico de conteúdo, e em muitas delas isso é grande parte do seu valor. Mas o Clubhouse é uma rede efêmera, que apresenta um conteúdo diferente a cada hora e incentiva que o usuário esteja constantemente checando os eventos e inclusive coloque os bate-papos em seu calendário.

Diversas empresas e geradores de conteúdo já estão pensando em formas de usar o Clubhouse, mas isso vale também para os usuários. Apesar de extremamente rica em conteúdos para trabalho ou vida pessoal, ela pode facilmente destruir a sua produtividade enquanto você tem certeza que está aprendendo sobre marketing ou growth.

Nesses primeiros dias usando a plataforma vi os mais diversos e interessantes usos, como salas de conversação em inglês, salas de música ao vivo, debates sobre o futuro do venture capital, mentorias para empreendedores e curso de apresentação pessoal. Meu conselho é que se planeje para usar o Clubhouse através do calendário oferecido na plataforma. Veja os eventos que quer participar e se programe para isso. E não tente ouvir enquanto trabalha, você não vai absorver o conteúdo e a sua produtividade vai cair.