Até onde vai o bitcoin?

A moeda que ainda causa desconfiança em alguns, tem tido uma alta expressiva nos últimos meses e chamado atenção daqueles que querem proteger seu dinheiro da desvalorização. Para aprofundarmos sobre o tema e entender o cenário atual do ecossistema de criptomoedas conversamos com Fabrício Tota, Head de Novos Negócios do Mercado Bitcoin. Confira a análise!

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Os mais atentos ao mercado financeiro notaram as recentes manchetes sobre a alta do bitcoin e as máximas histórias que a moeda tem atingido, mas poucos de fato tem acompanhado o movimento que este mercado tem passado para que isso aconteça.

Desde meados do ano passado, o bitcoin tem se valorizado de forma agressiva e isso se dá por três principais fatores:

1. A pandemia

Não tem como ser diferente, a crise originada do Coronavírus mexeu com o mundo e principalmente com a economia. Como maneira de conter seus efeitos, diversos Bancos Centrais do mundo tiveram que realizar estímulos fiscais monetários na economia, o que quer dizer produzir liquidez. Com mais dinheiro circulando problemas com inflação devem ser levados em consideração a longo prazo, ao passo que o bitcoin como um ativo escasso vai ganhando cada vez mais valor com a maior quantidade de investidores e consequentemente a menor quantidade de oferta..

Fabrício Tota, Head de Novos Negócios do Mercado Bitcoin, exemplifica "eu tenho dólares e o governo está emitindo cada vez mais dólares, isso ao longo prazo gera inflação, o que faz com que as pessoas percam poder de compra com essa moeda. Neste momento você procura um ativo que lhe proteja desse movimento e as pessoas estão encontrando a solução no bitcoin, já que o ecossistema evoluiu e obteve maturidade, além das novas soluções para investidores de bolso mais fundos."

2. Novos Players

Grandes nomes tem entrado neste mercado percebendo que faz sentido começar a realocar partes significativas de seus recursos em bitcoins. Esse movimento tem sido capitaneado por Michael Saylor, dono da MicroStrategy, grande empresa de softwares para aplicações empresariais de inteligência comercial. Saylor comprou mais de US$ 1 bilhão em bitcoins e se tornou grande porta-voz da moeda. Com o passar do tempo outros players migraram parte de seus recursos, incluindo Jack Dorsey, CEO do Twitter e também dono da Square, empresa que também investiu parte de seus recursos em bitcoin.

3. Halving

Este talvez seja o fator mais técnico dentre os citados. O Halving do bitcoin é uma característica listada dentro de seu próprio código e acontece a cada quatro anos. Diferente dos bancos centrais que injetam dinheiro de tempos em tempos na economia, este processo reduz a emissão da moeda. No último ocorrido em 2020, o total de bitcoin emitido a cada dez minutos caiu de 12,5 para 6,25 bitcoins.

Resumindo, os dois primeiros fatores aliados fizeram com que houvesse uma força compradora muito maior em um espaço de tempo condensado quando somado com a menor quantidade de moedas devido ao Halving. Isso fez com que houvesse a alta atual dos preços do bitcoin.

Mas como se explicam as quedas do bitcoin na última semana?

Na última segunda-feira, 11, o bitcoin chegou a cair 15% e Tota explica que "assim como a alta do bitcoin é acentuada, as quedas tendem a ser proporcionais." Vale lembrar que nenhum ativo segue uma constante, todos são voláteis. A Bolsa por exemplo tem subidas e quedas diariamente e isso é saudável para o mercado pois possibilita que haja movimentação por parte dos investidores. O executivo ainda salienta que "as quedas eram esperadas há a algum tempo, afinal tudo o que sobe muito rápido, tende a descer na mesma velocidade."

Fim da alta?

Com os estímulos do mercado este não deve ser o fim dos bons números, entretanto um momento para que os preços se acomodem e um novo nível saudável seja estabelecido.

preço do bitcoin

Fora do Brasil muito tem se especulado sobre o bitcoin atingir o patamar de US$25, US$30 e até US$ 50 mil, mas cravar um quantia máxima para 2021 é difícil. Tota acredita que nas próximas semanas haverá muita volatilidade até que o preço estacione em um valor saudável. A longo prazo, o executivo em tom descontraído comentou "Se eu dormir e acordar daqui a dois ou três anos e perguntar quanto está o bitcoin e me falarem US$ 100 mil, eu não iria assustar".

Ter medo do novo é do ser humano

Ainda mais quando já se teve exemplos de resultados ruins. Em 2017 o bitcoin vinha forte, mas despencou, deixando investidores ainda mais receosos com o movimento atual. Muitos já tem comparado os dois momentos, mas é importante ressaltar a diferença entre os cenários. Hoje a alta é alavancada principalmente por instituições foras do ecossistema, em 2017 eram predominantemente PFs e alguns projetos da própria indústria.

preço do bitcoin

Além disso, o mercado conta uma qualidade maior das exchanges e soluções diferentes de custódia. Não podemos deixar de falar do aumento expressivo de desenvolvimento tecnológico e as várias regulações criadas e que já estão em vigor no mundo todo dando cada vez mais segurança ao regulador.

Por isso, partindo do princípio que o bitcoin é um recurso escasso e que pode ser usado de diferentes maneiras, mas principalmente como uma forma de proteção do dinheiro, cada vez mais pessoas começam a investir no ativo. Tota finaliza "este é apenas o começo de uma revolução que veremos nos próximos anos."