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#SnaqReview: Agtech

Confira os principais dados, desafios e oportunidades do setor que mais cresce no Brasil e no mundo!


🟢 Introdução: desafios e oportunidades para o agronegócio inovador no Brasil


O Brasil é reconhecido a nível global como potência agropecuária. Nos últimos 20 anos, o PIB agrícola do Brasil saltou (em números deflacionados) de US$ 122 bilhões para US$ 500 bilhões, o equivalente ao PIB da Argentina! Estima-se que o agronegócio representou 24,8% do produto interno bruto (PIB) nacional em 2022, segundo dados da CEPEA (USP).


#ZoomOut: favorecido por condições climáticas, extensão territorial e contingente populacional, o Brasil ocupa a 4ª posição do ranking global de maiores produtores agrícolas do mundo em relação ao PIB (atrás de Estados Unidos, China e Índia, respectivamente), segundo dados do Banco Mundial.


No relatório "Visão 2030: o Futuro da Agricultura Brasileira", publicado pela Embrapa, foram elencados os principais desafios postos ao setor agropecuário mundial e brasileiro, que exigem ações inovadoras promovidas tanto pelo governo quanto pelo setor privado.

Com isso, a Embrapa também mapeou as principais ações estratégicas (megatendências) a serem adotadas em ciência, tecnologia e inovação para enfrentar esses desafios e desenvolver o agronegócio nos próximos anos. Grande parte dessas transformações estão sendo lideradas por startups do setor.



🟢 Investimentos em agtechs crescem de 1.000% nos últimos 10 anos; setor ganha destaque entre os investidores


Apenas 2,4% dos investimentos VC hoje são direcionados para as agtechs. Apesar disso, nota-se que as startups do setor têm registrado um crescimento expressido dessa métrica. O motivo? A busca por soluções para amenizar os efeitos das mudanças climáticas na cadeia produtiva de alimentos têm se tornado pautas cada vez mais urgentes, por exemplo.


De acordo com o relatório produzido pela Glisco Partners e Endeavor, as cleantechs/ agtechs lideraram em termos de crescimento do volume de investimentos por setor em 2022 (+912% A/A). Isso é notável, pois o setor foi na contramão de outros setores, que se depararam com a escassez de investimentos para ativos de risco.


Vale lembrar que o ano de 2022 foi marcado pelo início da guerra na Ucrânia (país conhecido como o "celeiro da Europa"), surto de gripe aviária nos Estados Unidos (que fez o preço de ovos e carne de frango dispararem) e reajuste da cadeia global de suprimentos após o fim das restrições impostas pela pandemia de Covid-19, que perduram até meados de 2023.


Por essas razões, a busca por soluções associadas ao setor ganhou relevância entre os venture capitalists no período mais recente. Os investimentos em agtechs (global) totalizaram US$ 10,6 bilhões em 2022, distribuídos em 1.000 deals, segundo o PitchBook.



🟢 Brasil ocupa 6ª posição no ranking global de investimentos em agtechs


As soluções trazidas por agtechs brasileiras têm ganhado cada vez mais visibilidade e atraindo um grande fluxo de capital vindos de investidores globais. Segundo o relatório da AgFunder, o Brasil ocupa a 6ª posição em termos de aportes registrados nos últimos 10 anos, totalizando US$ 1,3 bilhão, distribuídos em 102 negócios distintos.


Os investimentos em agtechs ainda não são proporcionais à representatividade da América Latina, mas, para especialistas do setor, a tendência é que nos próximos anos as startups locais se tornem protagonistas do ecossistema global — destaque para o Brasil, que conta com diversos fatores favoráveis para o agronegócio.


Só nos últimos cinco anos (de 2018 a 2022), as agtechs brasileiras captaram US$ 855 milhões, distribuídos em 222 deals!


A concentração dos investimentos em agtechs em estágios pré-seed e seed é notável: representam 75% do total. Em função das condições locais e da escassez de investimentos para ativos de risco — que desfavorecem os aportes os mega-rounds e exits — a expectativa é que esse percentual cresça no curto prazo.


🟢 Lista de Investimentos em Agtechs (2023)


A seguir, confira as principais rodadas das agtechs brasileiras registradas em 2023, divulgadas na newsletter da Snaq! Para receber nossa curadoria do ecossistema de inovação em primeira mão, clique aqui! 🌱


#Culttivo fecha rodada de R$ 70 milhões. Fundada em 2020, a agfintech oferece crédito para produtores rurais. O valor foi captado via FIAgro FIDC será direcionado para gerar 500 operações de crédito para cafeicultores. Hoje, o Brasil conta com 330 mil cafeicultores, que demandam R$ 60 bilhões para financiar a sua produção. A Culttivo já concedeu R$ 70 milhões em empréstimos, com um ticket médio de R$ 400 mil por cafeicultor.


#Arado capta R$ 60 milhões. Fundada em 2021, a agtech criou uma plataforma de soluções de negócios do campo e logística, que conecta pequenos e médios produtores rurais a restaurantes e varejistas locais. Junto com o aporte Série A, a Clicampo adquiriu a Pin.go e passou por rebranding, passando a operar com a marca Arado.


#AdeAgro capta R$ 28 milhões. Fundada em 2021, a agfintech criou uma plataforma de soluções financeiras e inteligência de mercado com foco no agronegócio. A rodada foi liderada pela gestora DXA Invest e teve participação da Suno. Com o valor, visa ampliar sua oferta de produtos — inclui um marketplace de insumo e seguros, que será feito em parceria com a corretora Alper.


#Nagro capta R$ 10 milhões. Fundada em 2017, a agfintech oferece inteligência de dados e soluções de crédito para produtores rurais. A rodada Série A foi liderada pela Kinea Ventures, com participação da Oasis Ventures. No total, a Nagro captou R$ 245 milhões em 2023. A agfintech já analisou 500 mil produtos rurais e concedeu R$ 300 milhões em crédito para 5.000 produtores rurais.


#iRancho capta R$ 7,2 milhões. Fundada em 2016, a agtech criou uma plataforma de gestão de pecuária, utilizada por 3.500 propriedades rurais localizadas em diversos países — inclui Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. O aporte foi liderado pelo BB Ventures, fundo de CVC do Banco do Brasil gerido pela MSW Capital.


#Tarvos capta R$ 5 milhões. Fundada em 2017, agtech desenvolveu uma plataforma de monitoramento de pragas agrícolas. A rodada seed foi realizada por ACE Ventures, Bossanova Investimentos, GVAngels e Fundepar. Com o valor, quer ampliar a base de clientes e o número de estações de monitoramento.


#FloreFruto capta R$ 2 milhões. Fundada em 2021, a agtech conecta pequenos produtores rurais a grandes players de varejo através de sua plataforma. Funciona da seguinte forma: a partir dos dados coletados, a plataforma faz um match entre a oferta dos produtores e o que cada estabelecimento procura. Isso conta com solução logística, fiscal e previsibilidade de volume.


#Instabov capta R$ 1,5 milhão. Fundada em 2016, a agtech oferece soluções de monitoramento de animais em tempo real, focada em pecuária de corte. O aporte foi liderado pela Belgo Arames. O monitoramento é feito a partir de um colar aplicado no animal, que emite sinais para uma antena instalada nas fazendas, a fim de auxiliar podem na avaliação de pastagens e na otimização do uso de terrenos.



🟢 Modelo de negócios e soluções oferecidas pelas agtechs


O agronegócio abrange startups que atuam com diversas soluções — produção de insumos biológicos, crédito para produtores rurais e até marketplace de distribuição de alimentos, por exemplo. Assim, podemos classificá-las em três segmentos da cadeia produtiva agropecuária, conforme a abordagem de "Agribusiness" definidos pelo Radar AgTech 2022:


➡️ Antes da fazenda: envolve as ações que um produtor agropecuário precisa realizar antes de começar a produção, a saber: adquirir crédito ou insumos, como sementes, mudas, fertilizantes, agroquímicos, tratores e implementos, equipamentos de irrigação, embalagens, dentre outros.


➡️ Dentro da fazenda: atividades de produção agropecuária em si e tudo que precisa ser feito durante a produção – como gestão da propriedade rural, gestão da água, insumos e planejamento – comumente associada com a produção dentro da fazenda.


➡️ Depois da fazenda: inclui as atividades desenvolvidas, uma vez que o produto sai das mãos do produtor/agricultor, como: distribuição, logística, processamento, embalagem, venda no atacado e no varejo e consumo. Considera-se que as startups atuantes no segmento de alimentos se inserem nesse segmento.


#ZoomOut: Em virtude dos novos hábitos de produção e consumo, impulsionados pela pandemia, grande parte das agtechs brasileiras (44% do total) desenvolvem soluções como alimentos inovadores e novas tendências alimentares.



🟢 Mapa das agtechs brasileiras


Em outubro, a Snaq publicará um mapa sobre o ecossistema de inovação brasileiro voltado para o agronegócio! Se a sua agtech deve estar no mapa ou você conhece startups do setor, indica aqui para que elas apareçam no #SnaqMap! 🌱



🟢 Tendências: agro cada vez mais tech


O relatório da consultoria DigitalFoodLab destaca que há seis disruptores alimentares que romperão com o status quo da forma como o agronegócio é feito hoje.


🐜 Uso crescente de nanotecnologia, que permite o desenvolvimento de produtos agrícolas inovadores para melhorar a saúde e nutrição das plantas, e insumos biológicos, que promovem práticas agrícolas sustentáveis, reduzindo o uso de produtos químicos nocivos.

🚜 Maturação do modelo de fazendas "indoor" (conhecidas como fazendas 4.0), depois de muito hype nesse segmento. Para a DigitalFoodLab, serão vencedoras as startups que têm uma vantagem tecnológica real e custos competitivos.

🎯 Foco em startups de agricultura de precisão, que integrem inteligência artificial para colocar a fazenda no piloto automático (redução de trabalhadores) e sustentabilidade (redução da quantidade de insumos utilizados).


Em suma, o setor converge para se tornar i) mais sustentável e tecnológico, a fim de suprir uma demanda por alimentos cultivados localmente; ii) redução de custos de energia; iii) preocupação com mudanças climáticas; iv) automatização das atividades no campo.



📃 Referências

https://radaragtech.com.br/wp-content/uploads/2022/11/relatorio_Radar-Agtech-2022_Embrapa_HomoLudens_SPVentures.pdf

https://agfunder.com/research/

https://pitchbook.com/news/articles/market-map-agtech-q4-2022

https://files.pitchbook.com/website/files/pdf/2022_Agtech_Overview_Preview.pdf

https://slinghub.io/startup-index

https://blogs.canalrural.com.br/agrosuperacao/2020/10/07/para-dobrar-o-pib-do-brasil-precisa-dobrar-o-agro-com-agroindustria-agregando-valor/

https://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx#:~:text=Considerando%2Dse%20os%20desempenhos%20da,pecu%C3%A1rio%20avan%C3%A7ou%202%2C11%25.

https://www.fao.org/home/en/

https://www.digitalfoodlab.com/%F0%9F%91%A8%e2%80%8d%F0%9F%8C%BE-whats-next-agriculture/

https://startupscanner.com/mapas

https://www.openstartups.net/site/ranking/rankings-categories.html

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