Donald Trump x Empresas de Tech

Confira as consequências do ataque ao Capitólio, incluindo as medidas tomadas pelas maiores redes sociais do mundo, e-commerce e plataformas de pagamento.

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Para aqueles que acharam que este ano seria mais tranquilo, a primeira semana de janeiro já deixou claro que isso não acontecerá. No último dia 6, manifestantes pró presidente Donald Trump invadiram o Capitólio, prédio sede do Congresso norte-americano localizado em Washington D.C. Os protestos aconteceram durante a contagem de votos que daria a certificação da vitória de Joe Biden. Com o início do tumulto e violência, a sessão foi suspensa e o local entrou em lockdown. Vídeos e fotos foram altamente compartilhados, cinco pessoas perderam a vida e mais de 90 foram presas.

O evento sem dúvida foi histórico, mas também fez com que houvesse desdobramentos significativos:

Banido das redes sociais

Momentos antes dos protestos acontecerem Donald Trump discursou aos seus apoiadores afirmando que não aceitaria o resultado das eleições e que marcharia junto ao manifestantes. Além disso, durante a tarde, o presidente continuou fazendo posts elogiando as pessoas que estavam no ato, assim como reafirmando que as eleições haviam sido fraudadas apesar da magnitude que tomava o protesto.

Logo que o ato saiu de controle e a invasão começou, o Twitter retirou do ar as mensagens de Trump, assim como dificultou a entrega e o engajamento de outros usuários com discursos similares. A princípio a conta do presidente americano ficaria bloqueada temporariamente por 12 horas sob a justificativa de que o mesmo havia violado politicas da rede social.

Enquanto isso, o Facebook e Instagram também tomavam suas providências. Mark Zuckerberg anunciou em sua conta que Trump estaria bloqueado por pelo menos duas semanas, já que o presidente havia violado duas de suas principais regras, além de derrubar o vídeo postado durante a invasão sob a justificativa de "risco de violência."

Outras redes sociais e plataformas também bloquearam o presidente. Youtube, Twitch, Snapchat, TikTok, Reddit, Pinterest, Shopify, e até mesmo a Stripe baniram o presidente de alguma forma, seja silenciando postagens ou bloqueando a conta de maneira geral.

Twitter X Trump

Dois dias depois do ocorrido, o Twitter anunciou que Donald Trump estaria banido permanentemente da rede social devido o risco de mais incitação à violência.

Na segunda-feira, 11, as ações da companhia chegaram a cair 12%. O resultado fez com que o Twitter perdesse mais de US$ 5 milhões. Vale dizer que o presidente americano tinha mais de 88 milhões de seguidores e que o Twitter suspendeu mais de 70.000 contas desde sexta-feira que compartilhavam mensagens pró ataque ao Capitólio.

E o Parler?

Está também foi uma descoberta para muitos diante todos esses acontecimentos. Para os leigos, o Parler é uma rede social que ganhou força junto a círculos conversadores ao permitir que pessoas pró-Trump postassem mensagens sem qualquer tipo de moderação, inclusive as que incitavam ódio e ameaças a segurança pública.

parler é retirado do ar

Com os protestos, Google e Apple retiraram das suas lojas de aplicativos a rede social e pouco tempo depois, a Amazon suspendeu seus serviços de hospedagem na web fazendo com que o Parler ficasse totalmente inacessível.

O CEO da rede, John Matze, chegou a comentar em um post oficial que a plataforma provavelmente ficaria inativa por mais tempo que o esperado, além de afirmar que tentará mudar de provedor, disse tem "muitos competindo por seus negócios."

Segundo a Amazon, o Parler apresentou conteúdos que violavam os termos de serviços da Amazon Web Services citando vários exemplos específicos de postagens que incentivavam e incitavam a violência.

Vender também ficou mais difícil

O Shopify, empresa que fornece sites de comércio eletrônico para mais de um milhão de comerciantes, anunciou que fechou duas lojas online vinculadas ao presidente. Os usuários que navegaram nos sites TrumpStore.com e shop.donaldjtrump.com foram recebidos com mensagens de que os mesmos não estavam mais disponíveis.

sites de trump saem do ar

O Shopify disse que “não tolera ações que incitem a violência”, entretanto outros sites que fazem parte da plataforma e vendem artigos ligados ao presidente seguem no ar. Como pode se imaginar, tal informação causou polêmica. A empresa se recusou a comentar sobre os sites adicionais.

Injetar dinheiro só por outros meios

Segundo o The Wall Street Journal, a Stripe Inc. não processará mais os pagamentos do site da campanha de Donald Trump. A empresa é quem lida com os pagamentos feitos para a campanha do presidente, assim como é usada para a arrecadação de fundos online.

Ao tentar fazer transações a plataforma informa que não aceitará pagamentos devido a atividades de "alto risco que envolva, incentive, promova ou celebre violência ilegal ou dano físico a pessoas ou propriedades."

O PayPal também anunciou ontem o bloqueou o site de financiamento coletivo GiveSendGo, pois a plataforma foi usada para ajudar a arrecadar fundos para as pessoas que compareceram ao protesto que terminou com a invasão do Capitólio. Além disso, a companhia confirmou que fechou a conta mantida por Ali Alexander, um dos organizadores do evento.

Por fim, a suspensão das contribuições

Bigtechs suspendem contribuição ao governo americano

As bigtechs que já haviam se posicionado sobre o ocorrido anunciaram que suspenderão as contribuições de seus comitês de ação política após a invasão. A Amazon que já havia contribuído com campanhas ao Senado em 2017 e 2018 anunciou que interromperá suas doações aos legisladores que votarem contra a certificação dos resultados da eleição presidencial.

O Facebook suspendeu suas contribuições pelo menos neste trimestre, assim como o Google que não deu um prazo de retorno. A Microsoft também se manifestou falando que avaliará suas contribuições a partir das "implicações dos eventos da semana passada". Airbnb, AT&T, Verizon, T-Mobile e Comcast também seguiram a mesma linha de decisão.