Os motivos para inovar variam conforme a empresa, mas o importante é começar (e não precisa ser sozinho)

Vamos conversar sobre inovação de uma maneira prática? Veja a matéria completa sobre o tema escrita pelo Pietro Bonfiglioli, sócio da Fisher Venture Builder.

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Nos últimos anos, o termo inovação aberta se popularizou entre empresas e ganhou adeptos no Brasil e no mundo. O conceito foi criado por Henry Chesbrough, professor e diretor do Centro de Inovação da Universidade de Berkeley e questiona duas premissas básicas do modelo tradicional de inovação fechada:

1)      Nós (empresa) detemos os melhores talentos e portanto as melhores ideias

2)      Se nós (empresa) inventamos, somos os melhores para comercializarmos

A partir do momento em que a tecnologia começa a impulsionar a disseminação de conhecimento e a reduzir barreiras e reservas de mercado, esses princípios começaram a fazer cada vez menos sentido e ganha força o modelo de inovação do “funil furado”, um processo aberto, contanto com a participação de parceiros, sempre de olho no que acontece também fora da empresa e com ciclos mais curtos e iterativos.

 

Por que inovar?

O desenvolvimento de novos produtos é apenas um dos motivos para uma empresa querer - ou precisar - inovar. Durante os últimos anos acompanhando processos de inovação percebemos que existem diversas motivações, que variam de acordo com o momento, área da empresa e também a maturidade no ciclo de inovação. Cito aqui alguns deles:

·         Eficiência: melhorar processos e resolver dores e necessidades internas

·         Melhoria de produto: melhorar ou complementar a oferta atual de produtos da empresa

·         Novas linhas de receita: encontrar novas fontes de geração de receita fora do core da empresa

·         Geração de valor: Usar ativos da empresa para construir novos negócios, criando valor de equity

·         Posicionamento: se posicionar para o mercado como empresa inovadora e apoiadora da inovação, atraindo novas oportunidades

·         Mapeamento e inteligência: mapear e entender o ecossistema de inovação para identificar potenciais parceiros e concorrentes

·         Retorno financeiro: investir em startups e alavancar com ativos e recursos da empresa visando um retorno financeiro

 

Não faça sozinho!

Bom, se o princípio da inovação aberta se baseia na premissa de que não necessariamente a empresa detém os melhores talentos, ideias e meios, também não faz sentido supor que a melhor forma de executar um programa de inovação seja sozinho. A colaboração entre grandes empresas e auxiliada por especialistas em inovação contribui para diminuir riscos, evitar armadilhas, acelerar os processos e melhorar os resultados.

 

Não faça uma única vez!

Hoje, é comum ver empresas lançando “desafios” e “hackatons” para que startups e empreendedores resolvam problemas antes endereçados apenas pelo P&D ou para melhorar processos de backoffice, por exemplo. Mas não pode ser só isso, inovar é um processo constante, perene e não esporádicos ou formado por iniciativas isoladas. As relações mais proveitosas e de maior impacto acontecem depois de um tempo de constante interação com o ecossistema.

Vemos muitas iniciativas que começam e terminam em um desafio ou processo de aceleração, sem metas claras e objetivas ou um preparo interno da empresa para absorver o melhor dessas iniciativas. É necessário alinhar a inovação ao plano estratégico de longo prazo da empresa, além de ter metas objetivas de curto e médio prazo que guiem as reavaliações e ajustes constantes dos programas.

Cada empresa possui seus motivos e suas dinâmicas internas e, mesmo seguindo todas as recomendações de boas práticas, nenhum programa de inovação vai nascer perfeito no dia zero. Buscar o apoio de empresas especializadas economiza tempo, recursos e melhora os resultados do programa, mas é o comprometimento da empresa e a execução que o tornam melhor. Comece o quanto antes e não tenha medo de errar.