E-commerce cresce na pandemia. Veio pra ficar?

O e-commerce é uma das categorias que mais se beneficiou durante a pandemia. O isolamento social e a preocupação com a saúde fizeram a população aderir a essa categoria, mas será que a mudança vai persistir pós crise?

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O e-commerce, também conhecido como comércio eletrônico, já chamava a atenção pelo alto potencial de crescimento. Por conta das crises econômicas e do baixo crescimento econômico que o país viveu na última década, a expansão da categoria foi abaixo do esperado, mas a adesão da população aos meios digitais era visto como questão de tempo.

Mas 2020 trouxe uma realidade bem distinta do que todo mundo imaginava. Uma pandemia promoveu cenários que jamais poderíamos imaginar, como o fechamento de fronteiras, as quarentenas e o isolamento social praticamente no mundo inteiro. E o e-commerce surgiu como opção mais viável em tempos que ir a lojas físicas fazer compras era uma realidade muito distante.

Segundo dados apresentados pela Atlantico em seu relatório sobre transformação digital na América Latina, em 10 semanas a penetração do comércio eletrônico aumentou de 7,2% para 12,6%. De 2009 até março de 2020, houve um aumento de 5,2%. Em outras palavras, em 10 semanas avançamos o que tínhamos avançado em 10 anos.

O crescimento aparece no faturamento também, além de ter sido o primeiro semestre com maior receita na história, é preciso destacar o aumento em relação ao mesmo período de 2019, que foi de 47%. O ticket médio e a quantidade de pedidos também cresceram.

E-commerce faz parte do novo normal?

A essa altura, já somos capazes de perceber algumas mudanças que vieram para ficar e outras que não. Será que o e-commerce vai fazer parte de nossa rotina mesmo após a pandemia?

Segundos dados de uma pesquisa feita pela Nielsen e Ebit, o consumidor está mais disposto a realizar compras pela Internet e em algumas categorias o crescimento chegou a ser de 4x em comparação com o terceiro trimestre de 2019.

O que podemos interpretar desses e outros dados revelados na pesquisa é que o consumidor de forma geral está satisfeito com a sua experiência de compra pela Internet. Os aplicativos e plataformas estão mais intuitivos e fáceis de usar, as entregas estão mais rápidas e um custo mais baixo (ainda tem muito o que melhorar), há uma maior diversidade nos meios de pagamento e também uma maior segurança.

Todos esses fatores influenciam na jornada do cliente e fazem com que a insegurança em relação ao e-commerce diminua. A partir do momento que o indivíduo usufrui de um produto ou serviço que proporciona um benefício claro para a sua vida, a tendência é que ele continue a ser um usuário.

A pandemia acelerou a entrada do que Philip Kotler chama de retardatários, que são os indivíduos que levam mais tempo a adotar novas tecnologia e produtos, por conta do receio e da relutância. A partir do momento que esse cliente é "forçado" a aderir ao comércio eletrônico e tem uma experiência positiva, ele perde seus medos, entrando de vez na categoria.

É bem verdade que a reabertura do comércio teve um impacto no varejo eletrônico, o que já era de se esperar, visto que existem produtos que as pessoas preferem comprar presencialmente. Mas mesmo voltando ao contexto de normalidade o e-commerce não vai voltar aos patamares pré-crise e ainda há muito potencial a ser explorado.