31 - jul

Comissão Antitrust e fundo para criadores de conteúdo

A última semana de julho foi marcada pelo encontro dos principais CEOs da maiores bigtechs do mundo com o congresso americano. Alguns já passaram pela experiencia de testemunharem em prol da suas empresas, outros estrearam no encontro. Entenda o que foi a Comissão AntiTrust e seus principais momentos!

Na quarta-feira (29), um fato histórico e de extrema relevância aconteceu nos EUA,  os CEOs de quatro das maiores e mais influentes empresas do mundo testemunharam no Congresso americano.

O motivo é uma investigação antitruste nos mercados digitais e de tecnologia, abordando questões como privacidade de dados, inovação e monopólio. As Big Techs estão sendo investigadas por supostas práticas anticompetitivas como o controle de algoritmos e favorecimento de produtos próprios em plataformas de comércio eletrônico que culminam em uma redução de concorrentes.

Na audiência liderada pelo Subcomitê Antitruste da Judiciário da Câmara, os executivos Jeff Bezos (Amazon), Tim Cook (Apple), Sundar Pichai (Alphabet) e Mark Zuckerberg (Facebook), responderam a questionamentos em relação à algumas das práticas corporativas que levaram suas empresas a serem as gigantes que são hoje.

A presença dos 4 CEOs indica a importância da investigação e como isso pode impactar os negócios das empresas citadas, sendo a primeira vez que Jeff Bezos comparece ao Congresso americano.

Diferente de outras audiências, o Congresso mostrou-se mais preparado, resultado de uma investigação iniciada em junho de 2019 e que examinou mais de 1 milhão de documentos. Em paralelo, ocorreram investigações do Departamento de Justiça e a Federal Trade Comission, porém enquanto estes investigam infrações que as Big Techs podem ter cometido, o Congresso tem a função de criar leis ou modificá-las caso necessário.

Antes mesmo do evento ocorrer, o assunto já era muito discutido nos EUA, e no dia 29 de abril presenciamos uma audiência de extrema importância. Os investigadores puderam apresentar seus pontos ao público e tivemos a oportunidade de escutar dos 4 CEOs as respostas em relação aos problemas citados. A seguir vamos apresentar o que de mais importante aconteceu na reunião.

Principais pontos abordados na audiência

Experiências anteriores com esse tipo de audiência mostraram como os CEOs conseguem ser evasivos em questões complexas. Mas dessa vez os legisladores vieram mais preparados e, com evidências (documentos e testemunhas), conduziram a investigação de forma agressiva na intenção de determinar se as companhias citadas acima utilizam do seu poder e influência para minar competidores e assim, prejudicar os consumidores.  

Nem todas as perguntas foram relacionadas a questão das práticas anticompetitivas, mas alguns membros do subcomitê fizeram perguntas pertinentes em relação a maneiras como cada empresa pode ter violado a lei antitruste:

Google

O Google foi questionado em relação ao domínio no mercado de pesquisa e de ads. Por mais que existam outros mecanismo de pesquisa, a empresa é tão forte que o seu nome virou sinônimo de pesquisar alguma coisa na Internet, “dá um Google aí”. Além disso, Pichai teve que responder em relação ao possível favorecimento dos produtos da companhia, apresentando reviews próprios ao invés da concorrente Yelp, por exemplo.

Facebook

Mark Zuckerberg teve que responder sobre os planos do Facebook de acabar com a concorrência duplicando e copiando produtos. Através da estratégia ele ameaçava os competidores pressionando por uma aquisição. Foram mostrados e-mails sobre a questão, inclusive do fundador do Instagram.

Amazon

Jeff Bezos foi questionado em relação a prioridade na procura e entrega dos produtos e se os dados de vendedores terceirizados eram utilizados em prol da companhia. Não foi capaz de responder com sim e não à última questão, mas deixou claro que a Amazon possui uma política que proíbe a prática, mas não consegue garantir que nunca tenha ocorrido alguma violação.

Apple

A Apple foi a que menos sofreu com as perguntas. Tim Cook foi perguntando em relação as altas taxas cobradas aos desenvolvedores de aplicativos, e como o domínio da companhia é grande, não restam muitas alternativas a não ser pagar.

Do lado Republicano, os políticos que participaram da audiência focaram em um possível viés anti conservador das Big Techs. O político Gaetz, que na segunda-feira (27) acusou Zuckerberg de mentir para o Congresso, disse que o Facebook e o Google possuíam tal viés, e que isso estaria afetando o rankeamento de sites na ferramentas de pesquisa e a moderação de conteúdo em redes sociais.

O assunto está longe de estar encerrado e por aqui faremos uma cobertura sobre os desdobramentos desse evento histórico. Sempre bom lembrar que no final do ano teremos eleições para o Congresso (House of Representatives) que hoje é liderado pelo partido Democrata.  Caso isso se mantenha, as Big Techs podem estar sujeitas a regulações mais intensas e caso o quadro se reverta, pode haver mudanças nas leis de responsabilidade das plataformas de internet em relação ao conteúdo postado por usuários. Qualquer um dos dos cenários é problemático para essas grandes empresas de tecnologia.